ESTÁGIO CONSERVADOR

Ser Renal Desde Bebê: Como Foi Crescer no Tratamento Conservador

Diferente de muitas pessoas que recebem o diagnóstico da doença renal já adultas e passam por aquele choque de “mudar de vida”, a minha história começou muito cedo. Para mim, cuidar dos rins nunca foi uma novidade: foi a minha realidade desde bebê.

Na minha infância, a medicina ainda não tinha os recursos de hoje. Entre exames, consultas e episódios de hematúria (aquele xixi cor de coca-cola que assustava meu pai), fui crescendo e me adaptando a uma rotina de cuidados diários.

O Diagnóstico e a “Sentença”

Aos 15 anos, após a biópsia, o nefrologista me deu um diagnóstico de Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF). Na época, o médico disse que não tinha cura e nem tratamento. Jovem como eu era, decidi fazer o que a mente humana faz de melhor para se proteger: segui minha vida como se nada estivesse acontecendo, até porque não entendia a gravidade daquela informação equivocada sobre o tratamento e o que poderia acarretar na minha vida futuramente. Afinal, eu estava bem, me sentia normal e nunca, nem nos meus piores pesadelos, imaginei que um dia a palavra ‘hemodiálise’ faria parte da minha rotina.

A Consulta da Minha Avó Que Mudou a Minha Vida

O tempo passou até que, por volta do ano 2000, a vida deu uma volta curiosa. Minha avó, que era diabética, começou a ter problemas renais e precisava ir às consultas com a nefrologista. Em uma dessas idas ao médico, por insistência ou curiosidade de investigar também, fiz alguns exames. E o resultado me pegou totalmente de surpresa: o meu rim direito já estava atrofiado e funcionando a apenas 10%, enquanto o esquerdo segurava a barra sozinho trabalhando a 90%.