A história é longa e envolve vários fatores, pois toda doença é multifatorial, não só no corpo físico mas também no sistema familiar. Mas não entrarei em detalhes, serei breve.
Sou renal desde a infância, não nasci com a doença e também não é genética. Tive sucessivas infecções urinárias e Streptococcus na garganta, o que pode também ter lesionado o rim.
Os sintomas que apresentei foram: xixi escuro (cor de coca-cola), hematúria (sangue na urina) e proteinúria (perda de proteína na urina), posso ter tido mais alguns mas esses são os que tenho lembrança.
Fui em vários médicos mas naquela época, início dos anos 80, a medicina não era tão avançada quanto hoje, então achar a causa ou a solução do problema era bem desafiador. Depois de encontrar um médico que parecia ser bom e referência no Rio de Janeiro, aos 15 anos fiz uma biópsia renal, onde o laudo era Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF). E foi dito pelo médico que era uma doença que não tinha cura (verdade, pois a doença é progressiva) e nem mesmo tratamento (um erro, pois existe tratamento conservador para evitar ou retardar a progressão).
Segui minha vida como se aquele ciclo tivesse se incerrado e não tivesse mais a doença. Era muito jovem e não tinha consciência (e minha família também). Não tinha ideia da gravidade da DRC e o que poderia causar.
Minha avó tinha diabetes tipo 2 e o diabetes é a principal causa de Doença Renal Crônica (DRC) no Brasil e no mundo, A glicose elevada crônica danifica os vasos sanguíneos dos rins (nefropatia diabética), reduzindo a capacidade de filtração. Por esse motivo, ela ficou renal e teve que fazer acompanhamento com nefrologista.
Nessa época eu devia ter uns 20 anos, quando fui nessa nefrologista. E com alguns exames descobri que o rim direito funcionava apenas 10% de sua capacidade total, estava quase atrofiado e o rim esquerdo 90%. Comecei então o tratamento conservador, que durou até o final de outubro de 2022.
Quando vivemos no automático, sobrecarregados ou com emoções reprimidas, nosso corpo “fala” através de sintomas físicos, e ele precisa ser escutado. O autoconhecimento é uma chave que abre várias portas internas nos libertando e fazendo despertar para várias questões da vida.
Inclusive, conhecer muito sobre a DRC (doença renal crônica) me deu muita autonomia para debater o que eu sabia que não fazia sentido pra mim em várias situações, inclusive a buscar melhores médicos e tratamentos. Lembre-se: “O conhecimento liberta”
Acredito que a doença não nasce apenas no corpo físico, ela nasce primeiro no espírito para depois vir para o corpo físico (não estou falando de religião), essa é a minha opinião e você não precisa concordar. As doenças podem ser genéticas (o que não significa uma sentença), e também por nossos desequilibrios emocionais e questões inconscientes, por isso como falei no início do post, ela é multifatorial.


Leave a Reply